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Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/8528
Title: Ele só chega nas últimas, quando não tem mais jeito : atenção à sexualidade e à saúde reprodutiva dos homens nos discursos de profissionais do Programa Saúde da Família em Recife
Authors: Cristina Nunes Simião, Fernanda
Keywords: sexualidade e saúde reprodutiva;homens;profissionais de saúde;programa saúde da família;psicologia social discursiva
Issue Date: 31-Jan-2010
Publisher: Universidade Federal de Pernambuco
Citation: Cristina Nunes Simião, Fernanda; Maria Leite Cruz, Fátima. Ele só chega nas últimas, quando não tem mais jeito : atenção à sexualidade e à saúde reprodutiva dos homens nos discursos de profissionais do Programa Saúde da Família em Recife. 2010. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2010.
Abstract: Essa pesquisa teve como objetivo compreender o que os profissionais de saúde do Programa Saúde da Família (PSF) de Recife dizem acerca da atenção à sexualidade e à saúde reprodutiva dos homens, a partir da análise do processo de construção de argumentos e das suas funções. Identificamos nos discursos das profissionais de saúde: como elas descrevem os homens em relação à atenção à sexualidade e à saúde reprodutiva; quais as explicações dadas por elas a esse comportamento masculino; e quais ações são realizadas/idealizadas a partir dessas descrições e explicações. Consideramos como base da relação entre os homens e os serviços de saúde o modelo de atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS), que propõe ações de prevenção e promoção à saúde, por meio das estratégias PSF e Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), cujos propósitos permitem uma maior aproximação entre os profissionais de saúde e a população. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada nos pressupostos do construcionismo social e na abordagem teórico-metodológica da Psicologia Social Discursiva, representada por autores como Jonathan Potter e Margareth Wetherell (1987) e Michael Billig (2008). O material analisado foi construído em um estudo de uma organização não-governamental (ONG), que contou com a participação de sete profissionais de saúde de nível superior (três enfermeiras, duas dentistas, uma médica e um enfermeiro) e dezoito agentes comunitárias de saúde (ACS) de duas Unidades Saúde da Família (USF) da Região Político-Administrativa II (RPA II) da cidade de Recife. Os instrumentos utilizados foram sete entrevistas semi-estruturadas, realizadas com as profissionais de saúde de nível superior, e dois grupos focais, realizados com as ACS. Todo o material foi audiogravado e transcrito minuciosamente. Não encontramos diferenças significativas nos discursos dos dois grupos de participantes nem entre os dois tipos de procedimentos metodológicos. A partir da análise desse material, pudemos compreender que os argumentos construídos pelas profissionais de saúde, tanto as de nível superior, quanto as ACS, associam a mulher ao cuidado e o homem à despreocupação/desleixo com a saúde. Essas profissionais de saúde reproduzem em seus discursos o modelo de masculinidade tradicional e o utilizam para explicar porque os homens frequentam menos os serviços de saúde: não gostam de se expor, não cuidam de si, são os provedores da família, entre outras explicações. Assim, justificam as diferenças entre homens e mulheres por meio de explicações de ordem psico-sócio-cultural: o homem é mais fechado e a mulher é mais aberta , o homem é o provedor e a mulher é a responsável pelo lar; explicações de ordem socioeconômica: o homem não tem tempo porque precisa trabalhar e a mulher tem mais tempo disponível porque fica em casa cuidando dos filhos; e explicações de ordem biológica: as mulheres adoecem mais. Os argumentos construídos pelas profissionais de saúde evidenciam dois pólos, homem mulher, fortemente caracterizados pelas diferenças de gênero, com a naturalização dos comportamentos e posturas, como também expressam as implicações da cultura e das demandas do mundo do trabalho nos sujeitos sociais. No que se refere às ações em saúde, compreendemos que as ações desenvolvidas por essas profissionais caracterizam-se pelo foco na doença, o que contrasta com a proposta do modelo assistencial da atenção básica, que prioriza as ações de prevenção e promoção da saúde
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/8528
Appears in Collections:Dissertações de Mestrado - Psicologia

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