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Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/70189

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Title: Dor facial e sintomas não motores em pacientes com espasmo hemifacial
Authors: SOARES, Miriam Carvalho
Keywords: Espasmo Hemifacial; Dor facial; Toxina Botulínica
Issue Date: 29-Jan-2026
Publisher: Universidade Federal de Pernambuco
Citation: SOARES, Miriam Carvalho. Dor facial e sintomas não motores em pacientes com espasmo hemifacial. 2026. Dissertação (Mestrado em Neuropsiquiatria e Ciência do Comportamento) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2026.
Abstract: O espasmo hemifacial (EHF) é tradicionalmente descrito como um distúrbio neurológico motor caracterizado por contrações involuntárias dos músculos faciais; contudo, evidências crescentes demonstram que essa condição apresenta um fenótipo clínico mais amplo, incluindo manifestações não motoras como dor facial, cefaleia, ansiedade, depressão e distúrbios do sono, as quais contribuem de forma significativa para a carga global da doença e o comprometimento da qualidade de vida, permanecendo frequentemente sub-reconhecidas na prática clínica. Nesse contexto, esta dissertação teve como objetivo investigar de forma integrada os sintomas não motores associados ao EHF, por meio de dois estudos complementares. O primeiro consistiu em um estudo original de coorte prospectivo com pacientes adultos com EHF primário acompanhados em centro terciário, no qual foram avaliadas a prevalência e as características clínicas da dor facial e seus fatores associados. Os pacientes foram seguidos por 4 meses e avaliados em três momentos: no baseline (presencialmente no dia de aplicação da toxina botulínica) e em dois e quatro meses após a aplicação por telefone. Na avaliação inicial, foram aplicados um Questionário Sociodemográfico Semiestruturado (QSS), contendo dados demográficos e clínicos, e um Questionário Semiestruturado sobre as Características da Dor Facial (QSE-CDF), que investigou frequência, duração, intensidade, topografia, lateralidade e sintomas associados à dor. A intensidade da dor em T0 foi quantificada por meio da Escala Visual Analógica (EVA), com variação de 0 a 10. Também foram aplicadas a Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), o McGill Pain Questionnaire (MPQ) e o Hemifacial Spasm Score (HFS- Score), incluindo seus domínios objetivos e subjetivos. Para o acompanhamento longitudinal da dor facial nos momentos T1 e T2, foi utilizado o Diário de Dor Facial (DCDF). A dor facial esteve presente em 40,2% dos pacientes, com predomínio de localização periorbital (77,1%) e lateralidade ipsilateral ao espasmo (85,7%; 30/35). Sua presença associou-se ao sexo feminino (OR = 3,47; IC 95%: 1,00–11,97; p = 0,049) e a maior gravidade subjetiva da doença (OR = 1,01; IC 95%: 1,00–1,03; p = 0,034). Embora 88,2% dos pacientes tenham relatado melhora subjetiva da dor após o tratamento com toxina botulínica tipo A (BoNT-A), não foram observadas reduções significativas nos parâmetros objetivos de frequência (p: 0,768), intensidade (p: 0,454) e duração da dor ao longo do seguimento (p: 0,108). O segundo estudo consistiu em uma revisão sistemática da literatura, conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA, com o objetivo de sintetizar as evidências disponíveis sobre ansiedade, depressão, distúrbios do sono, dor facial e cefaleias em pacientes com espasmo hemifacial. Foram pesquisadas três bases de dados eletrônicas: PubMed/MEDLINE, Cochrane Library e EMBASE. Ao todo, 22 estudos foram incluídos: oito relatos de caso, sete estudos transversais, dois estudos caso-controle, quatro estudos de coorte e uma série de casos. A prevalência de cefaleia variou de 24,2% a 60%, enquanto a dor facial foi relatada em aproximadamente 33% dos pacientes. Sintomas depressivos e ansiosos foram descritos em 5,7% a 29% e 9,1% a 19,5% dos pacientes, respectivamente. Distúrbios do sono, particularmente insônia, mostraram-se mais frequentes em pacientes com EHF, ocorrendo até três vezes mais quando comparados a grupos controles. De forma geral, a revisão confirmou a alta prevalência de sintomas não motores no EHF e indicou que o tratamento com BoNT-A exerce efeitos benéficos que extrapolam o controle motor.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/70189
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