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Título: A pernambucanidade e a produção fonográfica do Selo Mocambo da Fábrica de Discos Rozenblit
Autor(es): BARBOSA, Leonardo de Fontes
Palavras-chave: Fábrica de Discos Rozenblit; Selo Mocambo; Indústria Fonográfica; Pernambucanidade; Música popular nordestina
Data do documento: 20-Dez-2023
Editor: Universidade Federal de Pernambuco
Citação: BARBOSA, Leonardo de Fontes. A pernambucanidade e a produção fonográfica do Selo Mocambo da Fábrica de Discos Rozenblit. 2023. Dissertação (Mestrado em Música) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2025.
Abstract: Esta dissertação parte da consideração da existência de uma “identidade pernambucana” (ou noção de “pernambucanidade”) que, como uma identidade cultural, carrega consigo elementos situados no âmbito da dialética entre identidades nacional e regional, essas outrora associadas a perspectivas de desenvolvimentismo econômico nacional e regional que estiveram presentes no contexto de consolidação do Estado nacional brasileiro, dada a posição que ocupava o Nordeste – sendo Pernambuco uma forte referência cultural – frente ao desenvolvimento econômico e constituição de uma identidade nacional que privilegiava fatores culturais e econômicos localizados no Centro-Sul. A ideia em torno de uma “pernambucanidade” está presente no imaginário e cotidiano dos trabalhadores pernambucanos, bastante disputada e utilizada em diversos aspectos de produção e reprodução culturais, e que tem na música uma de suas principais expressões. Construção identitária contemporânea, mas que remete à difusão de uma perspectiva regionalista que remonta a décadas passadas, sobretudo aos anos 1920 em que surge o Movimento Regionalista. Um certo “regionalismo pernambucano” atravessa o período nacional-desenvolvimentista brasileiro entre as décadas de 1950 e 1980, contexto em que se situa a Fábrica de Discos Rozenblit, que no citado período se tornou uma das principais organizações do ramo de produção fonográfica do Norte-Nordeste, com atuação fortemente atravessada pelas questões do desenvolvimentismo e da produção cultural nacional e regional. Situando esses aspectos, buscamos analisar a relação existente entre a Rozenblit e esse imaginário regionalista, particularmente através do selo Mocambo, associado às manifestações musicais que hoje envolvem a perspectiva regionalista de “pernambucanidade” e suas mediações com os aspectos sócio-históricos, culturais e político-econômicos mais amplos. Os procedimentos metodológicos adotados foram pesquisa bibliográfica de artigos, livros, dissertações e teses acerca dos conceitos de identidade nacional/regional, o nacional desenvolvimentismo etc., além de análise documental que envolve o catálogo da produção do selo Mocambo, em especial as séries de LPs 10.000 e 40.000, assim como em fontes de jornais da época. Como resultados, apontamos que a Fábrica Rozenblit, através do Selo Mocambo, contribuiu qualitativamente para a gravação de diversos artistas, grupos e expressões musicais que reforçam o imaginário que hoje constituem sentidos simbólicos e materiais em torno da “pernambucanidade”, tais como frevo, maracatu, coco, ciranda, xotes, quadrilhas, marchas carnavalescas, dentre outros. Expressões musicais que ao longo das décadas sedimentaram-se como base para o que hoje se veicula como identidade pernambucana, destaque em festas populares como Carnaval e São João, mas que estão presentes para além desses ciclos, na mídia e no cotidiano de trabalhadores, comunidades, agremiações e brinquedos populares. Tendo sido indústria fonográfica de alcance nacional, a Rozenblit serviu de aporte tecnológico para que muitos desses gêneros pudessem ser gravados e assim reproduzidos constantemente nas rádios e vitrolas dos trabalhadores, servindo inclusive como catálogo para que na atualidade possamos pesquisar as referências musicais daquele período. Por outro lado, na contramão do que boa parte da bibliografia dedicada ao assunto tem afirmado, que busca situar a produção do selo Mocambo – e muitas vezes da Rozenblit – como estritamente regionalista, a análise documental revelou que a produção desse selo está alinhada aos valores do “nacional-popular” da década de 1960, com uma produção musical repleta de sambas, bossas, frevos e outros gêneros considerados nacionais; revelando assim uma contribuição, se é que assim podemos dizer, que buscou incluir os clássicos ritmos musicais pernambucanos no bojo da perspectiva nacional popular.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/68754
Aparece nas coleções:Dissertações de Mestrado - Música

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