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https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/68575
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| Title: | Papel da medicina de família e comunidade na coordenação do cuidado de pessoa com paraparesia: relato de caso |
| Authors: | LIMA, Letícia Laís Ribeiro de |
| Keywords: | paraparesia espástica; atenção primária à saúde; saúde do homem; pessoa com deficiência; cronicidade |
| Issue Date: | 24-Feb-2026 |
| Citation: | LIMA, Letícia Laís Ribeiro de. Papel da medicina de família e comunidade na coordenação do cuidado de pessoa com paraparesia: relato de caso. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina de Família e Comunidade) – Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, 2025. |
| Abstract: | Este relato de caso descreve o acompanhamento longitudinal de um homem na sexta década de vida, analfabeto, portador de paraparesia espástica crural sensitivo-motora de mais de 20 anos de evolução, marcada por dor neuropática intensa, espasticidade, fraqueza progressiva, disfunções esfincterianas e quedas recorrentes. Extensa investigação diagnóstica realizada em nível especializado descartou etiologias infecciosas e inflamatórias ativas, incluindo HTLV-1, sífilis, esclerose múltipla e infecções oportunistas, concluindo tratar-se de sequela de mielite transversa antiga, já resolvida, sem atividade inflamatória atual. Mais do que um fenômeno biológico, o caso evidenciou determinantes psicossociais complexos que condicionaram um afastamento de mais de uma década dos serviços de saúde. Medo de câncer, analfabetismo, construções hegemônicas de masculinidade, culpa associada a infidelidade conjugal e conflitos familiares contribuíram para o sofrimento psíquico relevante, expresso por sintomas depressivos, isolamento social e abandono terapêutico. Tais fatores, amplamente descritos na literatura da APS, demonstram como crenças, emoções e relações familiares podem exercer maior impacto sobre a continuidade do cuidado do que a própria condição neurológica. A intervenção, conduzida por uma equipe com formação em Medicina de Família e Comunidade, foi decisiva para reverter essa trajetória. O uso competente do MCCP permitiu acessar expectativas, medos e significados atribuídos ao adoecimento, desfazendo crenças equivocadas e ressignificando o acompanhamento como cuidado contínuo e funcional, e não busca por cura. O vínculo terapêutico foi reconstruído por meio de comunicação clínica qualificada, escuta ativa, visitas domiciliares e abordagem familiar, que tornaram possível compreender as dinâmicas relacionais e barreiras sociais envolvidas. O relato destaca o papel essencial da Medicina de Família e Comunidade no manejo de condições crônicas complexas sem perspectiva curativa, enfatizando a importância da abordagem biopsicossocial, da longitudinalidade e do foco na funcionalidade e na qualidade de vida como princípios orientadores da prática clínica no território. |
| URI: | https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/68575 |
| Appears in Collections: | Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade |
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