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Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/16991
Title: E até que a morte nos separe? - Repercussão da separação e do divórcio na concepção de família hoje (década de 90)
Authors: OLIVEIRA, Márcia Adriana Lima de
Keywords: Família; Família - Aspectos sociais; Antropologia cultural e social
Issue Date: 8-Sep-1994
Publisher: Universidade Federal de Pernambuco
Abstract: A pesquisa que ora apresentamos teve como problema central a desestruturação ou não da família enquanto unidade doméstica composta pelos laços de parentesco por afinidade e consaguinidade, em decorrência das separações e do divórcio, bem como dos arranjos familiares. O objetivo foi verificar se havia ou não essa desestruturação e qual a repercussão das separações e do divórcio na família hoje (década de 90). Para realizarmos essa pesquisa escolhemos como campo de observação um Bar dançante que existe em Olinda- Pernambuco, que promove todas as quintas-feiras a Noite dos Desquitados, cujos frequentadores das quintas-feiras constituíram-se no grupo social com que trabalhamos na pesquisa, tal seja: pessoas descasadas (separadas de fato e judicialmente e divorciadas). Indo ao Bar, campo de pesquisa, percebemos que não apenas descasados, mas solteiros casados e viuvas também o freqüentavam, passando a fazer parte da pesquisa como representantes dessas categorias. No Bar observarmos a formação de novas redes de sociabilidade pós-separação. A dança funcionou como uma grande mediadora do processo de interação. A observação participante e entrevistas semi-estruturadas foram utilizados na obtenção dos dados, através de como os informantes representavam ou reapresentavam a família, o casamento e o relacionamento, para chegarmos ao porquê das pessoas ainda considerarem as separações e o divórcio como elementos de desestruturação da família, estigmatizando os descasados e, em especial, as descasadas, ou, por outro lado, considerarem as separações e o divórcio como elementos que fazem parte, hoje, da dinâmica familiar. Nesse contexto, observamos que as mudanças surgem na representação de relacionamento, visto como relacionamento puro em contraposição a hierarquia de genero, embora um, não anule completamente o outro, alterando a representação das separações e do divórcio, consequentemente da família.. Porém a desestruturação ainda é sentida uma vez que há uma continuidade de valores, crenças e sentimentos que reafirmam a indissolubilidade do casamento oriundos de uma influência religiosa, predominantemente, católica. Basta ver que mesmo com a implantação da lei do divórcio em 1977 / 78 e após quase 20 anos de sua implantação, não houve uma aceitação plena da separação, resultando numa continuidade de valores, ou seja, apesar da implantação da lei, as pessoas não mudam seus valores de uma hora para outra, inclusive é muito mais provável uma mudança na cultura utilitária do que na não-utilitária e, neste sentido,qualquer alteração na família é vista como prejudicial. Contudo, ainda que seja um processo lento detectamos na maioria dos descasados e nos representantes de outras categorias algumas mudanças tipo: o não dar tanta importância ao aspecto "eterno" da relação conjugal e nem a papéis para oficializar uma união; passando a ser importante hoje, o fato das pessoas estarem, dentro da continuidade de valores e mudanças destes, tornando-se mais exigentes ao que querem, quanto a realização de seus projetos, reforçando a não desestruturação da família e reapresentando-a conforme está na Constituição de 1988, como sendo "união estável entre duas pessoas adultas de ambos os sexos" e “qualquer um dos pais e seus descendentes". Concluímos que não há desestruturação da família, uma vez que esta, repetimos, foi trabalhada aqui enquanto laços de parentesco e consanguinidade que não são rompidos com o desatar dos laços da aliança do casamento. Ambos, tanto família quanto casamento, foram analisados como parte de um sistema maior, o de Parentesco.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/16991
Appears in Collections:Dissertações de Mestrado - Antropologia

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