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Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/12129
Title: Pião trecheiro : trabalho, sexualidade e risco no cotidiano de homens em situação de alojamento em Suape (PE)
Authors: Silva, Sirley Vieira da
Keywords: Masculinidades;Trabalho;Sexualidade;Risco;Gênero
Issue Date: 20-Jun-2013
Publisher: Universidade Federal de Pernambuco
Abstract: Esta dissertação tem como objetivo compreender a relação entre trabalho, sexualidade e risco, por meio da vivência de homens trabalhadores de Suape, residentes em alojamentos. Trata-se de uma pesquisa etnográfica realizada na região litorânea do Cabo de Santo Agostinho (PE) de maio a novembro de 2012. Interagi com mais de 60 trabalhadores em vários momentos de sociabilidade. Seis deles foram entrevistados com base em um roteiro preelaborado, contendo questões sobre trabalho, família, sociabilidade, práticas sexuais, riscos etc. Os dados obtidos nas entrevistas foram somados às informações registradas no diário de campo e revelaram as práticas relacionadas aos riscos presentes em suas vidas. Na análise das informações usa-se o referencial conceitual dos estudos de gênero e sexualidade, com base nas percepções e processos de construção social revelados na prática e discursos dos interlocutores. Os referênciais teóricos sobre risco são fundamentados a partir do campo das ciências sociais, com foco na perspectiva cultural dos riscos desenvolvida por Douglas e Wildavsky. Os estilos de vida dos sujeitos comportam símbolos atrelados à honra, força e coragem e exigências próprias da vida profissional deles geram uma identidade singular ao grupo. Assim, um trabalhador pertencente a esse grupo se identifica como “Pião Trecheiro”, expressão associada ao “trabalho”, “deslocamento” e “tempo/período”. Por meio das observações realizadas no cotidiano desses sujeitos foram percebidas as vivências dos riscos em suas experiências sociais, a partir de dois aspectos: trabalho e sexualidade. Foram identificadas duas formas de se pensar o risco: 1) Pela dimensão do trabalho, o risco é coletivo, mediado por normas e regras de segurança do trabalho que levam à adoção de linguajar próprio e técnico, e de práticas de segurança e prevenção. Nessa situação, eles são monitorados permanentemente; 2) Pela dimensão do lazer, onde as práticas são referidas como responsabilidades individuais, não há monitoramento. Essas duas dimensões nem sempre estão isoladas, gerando outras formas de risco que podem ser percebidas nas relações sociais desse grupo, tais como na prática do sexo e na constituição de vínculos (com o local e as pessoas da região). Em relação ao sexo, são identificados mais dois aspectos relacionados a risco: a) sexo pago – mesmo que para os homens essa seja uma situação de lazer, o sexo, nesse caso, é mediado simbolicamente pela relação do trabalho das profissionais, estando presente a prevenção aos riscos (preservativo) como parte indissociável dessa relação; b) sexo temporário – relação mediada pelo lazer, prazer e tempo (período de duração do vínculo, podendo ser curto ou mais longo), correndo-se mais risco nessa relação, que pode levar à intimidade/proximidade e, consequentemente, ao sexo sem proteção. Em relação ao vínculo com o lugar e com as pessoas, aparecem as categorias “fazer parte” e “não fazer parte”, como símbolos constitutivos dessa relação. Sobre a interação com as mulheres, três possibilidades de vínculos se destacam: i) vínculo de serviço – mediado pela ideia de “serviço” ou o sexo pago; ii) vínculo temporário – mediado, no entendimento masculino, pelo interesse em sexo; iii) vínculo permanente – mediado pela questão da gravidez, mas nesse caso o vínculo é com a criança, não com a mulher que engravidou. Os resultados ainda revelam várias características da dimensão do poder atreladas às questões de gênero e de sexualidade. Questões socialmente construídas onde o risco surge como um conceito complexo, individual ou coletivo, mas sempre dimensionado pela responsabilidade. Mesmo no caso de risco individual, há determinados limites de ação do indivíduo para não prejudicar o grupo. Caso isso aconteça, são acionados dispositivos de monitoramento e regulação coletiva. Outra questão refere-se à ideia de liberdade sexual masculina. Há preocupação dos homens em não contrair DST ou Aids, mas não em engravidar. O risco aparece interligado a vários fatores, geralmente reportado como algo negativo. Apesar disso, dizem que ele faz parte da vida e, por ser “um perigo oculto”, não há como evitá-lo sempre.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/12129
Appears in Collections:Dissertações de Mestrado - Antropologia

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