Skip navigation
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/11118
Título: Igreja e serviço de saúde mental : um estudo das narrativas de evangélicos, usuários de CAPS
Autor(es): Henriques, Halline Iale Barros
Palavras-chave: Psicologia social discursiva; Saúde mental; Pentecostalismo
Data do documento: 31-Jan-2012
Editor: Universidade Federal de Pernambuco
Citação: HENRIQUES, Halline Iale Barros. Igreja e serviço de saúde mental: um estudo das narrativas de evangélicos, usuários de CAPS. Recife, 2012. 154 f. : Dissertação (mestrado) - UFPE, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em Psicologia. Recife, 2012..
Resumo: Estudos têm mostrado uma necessidade de repensar as práticas “psi”, no tocante à predominância de um modelo explicativo no processo saúde/doença, no qual a ênfase é na esfera físico-orgânica/natural em detrimento de outras formas de abordagem. Nesse sentido, deve-se olhar atentamente para outras explicações culturalmente e socialmente construídas tentando compreender os significados veiculados não só no processo saúde/doença, como também nas noções de cura e adoecimento. Neste trabalho fazemos isso em relação a um grupo específico, os usuários evangélicos de serviços de saúde mental (CAPS). O objetivo geral da pesquisa é identificar quais os significados utilizados pelos usuários evangélicos para falar de suas vivências de cura/adoecimento. Os objetivos específicos são os seguintes: quais os repertórios interpretativos eles usam para falar do universo religioso do qual fazem parte e de temas como cura e adoecimento psíquicos; como se dão, em seus discursos, as relações entre as práticas terapêuticas e as práticas religiosas, no cotidiano de um sistema “substitutivo” como o CAPS; que tipos de estratégias discursivas são utilizadas por eles para lidar com esta questão. Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, tendo como respaldo teórico-metodológico a abordagem da Psicologia Social Discursiva, perspectiva em que os discursos são vistos, fundamentalmente, como formas de ação social. Para tanto foram realizadas nove entrevistas narrativas e uma roda de conversa com usuários de CAPS na cidade de Campina Grande-PB. Como resultados, identificamos o uso de um vocabulário religioso típico das igrejas neopentecostais quando os usuários constroem discursos sobre “as guerras” contra o mal, representado pelo diabo/demônio; e um vocabulário mais próximo do universo pentecostal, no qual o gozo espiritual associado à fé tem mais destaque do que a guerra contra o demônio. Além disso, os participantes também fazem descrições de Deus e utilizam termos e expressões como “aceitei Jesus”, “estar convertido”, “coisas do mundo”, “desviar” e “testemunho” para falar da experiência da conversão e da relação desses sujeitos com as coisas mundanas. Os significados das noções de cura e adoecimento aparecem através de descrições, explicações e experiências sobre a cura e o adoecimento. Chama-nos a atenção a sobrevalorização do caráter terapêutico promovido pela religiosidade quando estes fiéis descrevem, explicam e se remetem as experiências vivenciadas neste campo. Relatos de tais experiências frequentemente são reprimidos pelo discurso psiquiátrico dominante nesses serviços de atenção psicossocial. O discurso religioso é excluído nesses serviços, contrariando o caráter democrático do discurso disseminado pela reforma psiquiátrica. Esta contradição nos leva a proporcionar discussões em torno da relação entre as práticas terapêuticas e as práticas religiosas, à medida que os usuários acabam transitando entre os diferentes serviços, tanto médicos quanto religiosos.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/11118
Aparece na(s) coleção(ções):Dissertações de Mestrado - Psicologia

Arquivos deste item:
Arquivo Descrição TamanhoFormato 
DISSERTAÇÃO CORREÇÕES completa.pdf3,11 MBAdobe PDFVer/Abrir


Este arquivo é protegido por direitos autorais



Este item está licenciada sob uma Licença Creative Commons Creative Commons