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Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/1074
Title: Ele ainda canta de galo: etnografando homens pobres no domínio da casa
Authors: Maria Nanes Correia dos Santos, Giselle
Keywords: Casa;Desemprego;Homens;Relações de Gênero;Antropologia
Issue Date: 31-Jan-2010
Publisher: Universidade Federal de Pernambuco
Citation: Maria Nanes Correia dos Santos, Giselle; Teodósio de Quadros, Marion. Ele ainda canta de galo: etnografando homens pobres no domínio da casa. 2010. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2010.
Abstract: A literatura antropológica sobre famílias de grupos populares brasileiras assinala que, face à precariedade da condição de subsistência, há enfraquecimento do papel de provedor do homem, seu afastamento do grupo doméstico e valorização da atividade econômica feminina, os resultados desta pesquisa são diferentes. O objetivo deste trabalho foi buscar compreender como homens pobres, em situação de desemprego, vivenciam a relação com a casa. O tripé de análise - rua, homens pobres e casa é norteado pelos pressupostos da Antropologia Feminista (Henrrieta Moore, 2004) e pela perspectiva das relações de gênero (Joan Scott, 1995). Sob o referencial da Antropologia Interpretativa, foi elaborada uma etnografia na comunidade Parque Residencial Bola na Rede, situada numa região de periferia do Recife (PE), onde realizou-se observação participante entre janeiro e junho de 2009. Foram feitas entrevistas com seis homens da comunidade, três deles na faixa etária de 20 anos e três na faixa de 40 anos. Os resultados indicam que homens, em situação de desemprego, procuram reinventar o espaço da casa, como um dos principais mecanismos de manutenção de poder e status masculino. O argumento central, defendido, é de que: ao não se configurarem como os principais (ou únicos) provedores, os homens, em situação de desemprego, buscam outros mecanismos que lhes possibilitam estar no domínio da casa. Esse argumento está sustentado na análise dos discursos dos homens sobre: (1) suas trajetórias de trabalho; (2) a organização domiciliar, com ênfase sobre a realização de tarefas domésticas e (3) as fontes de renda para o provimento familiar que não advém do trabalho masculino, mas sobretudo do trabalho feminino e da participação em um programa nacional de transferência de renda o Programa Bolsa Família. Em face das trajetórias no mercado formal e informal, a possibilidade de sustento econômico da família torna-se pouco viável. No entanto, os relatos buscam minimizar a situação de desemprego. Eles se apresentam como homens ativos, que estão sempre em probabilidade de conseguir rendimentos financeiros. O processo de valorização é corroborado pela apresentação da construção/compra da casa, que abriga a família, como um símbolo do provimento; pelos relatos de esperteza masculina e pela proclamação da virilidade. No reforço de tal valorização, a realização de tarefas domésticas é um espaço importante de afirmação masculina, principalmente, porque vem acompanhada de falas que exaltam o poder na distribuição dessas tarefas: que atividades fazer, como e quando. Nesse contexto, a relação do homem com o espaço doméstico continua predominantemente a se estabelecer no campo do sob controle em oposição a no controle (Parry Scott, 1990). Os homens discursam sobre a realização de tarefas relativas à arrumação da casa, ao cuidado com as crianças e à preparação de alguns alimentos, mesmo levando em conta que o trabalho requerido pela organização doméstica continua sob responsabilidade feminina. O trabalho feminino e os rendimentos advindos de programas governamentais (PBF) não se configuram como uma desonra. Afinal, eles só são uma ajuda! Dessa forma, os homens, moradores de Parque Residencial de Bola na Rede, nos relatam que ainda cantam de galo . A condição de homens pobres, em situação de desemprego, não faz com que sejam uma carta fora do baralho (Klaas Woortmann, 1987) dentro da casa. A escolha seletiva, que privilegiou as falas dos homens como principal material de análise, certamente nos mostra ângulos fundamentais, mas não esgota a problemática. No entanto, ao privilegiar as vozes masculinas no estudo das relações de gênero, foi possível aprofundar a compressão dos mecanismos de poder que possibilitam a manutenção e o status masculino de homens que estão na condição de desempregado
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/1074
Appears in Collections:Dissertações de Mestrado - Antropologia

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