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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/8106
Título: A violência e a escola: produções discursivas de pais e alunos da comunidade do Coque
Autor(es): Patrícia da Silva, Simone
Palavras-chave: Estereótipos; Escola; Família; Psicologia social discursiva; Violência
Data do documento: 31-Jan-2011
Editor: Universidade Federal de Pernambuco
Citação: Patrícia da Silva, Simone; De Oliveira Filho, Pedro. A violência e a escola: produções discursivas de pais e alunos da comunidade do Coque. 2011. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2011.
Resumo: Na década de 80 a vinculação entre a violência e a pobreza tornou-se uma verdade incontestável no país, sendo disseminada nos meios midiáticos, em discursos políticos ou nas conversações cotidianas. Tal associação possibilitou a construção de vários estereótipos em relação aos sujeitos provenientes de camada popular, que passaram a ser percebidos como uma classe social da qual provinham criminosos, pessoas ignorantes, etc. Essas construções sociais também circulam na escola que, em geral, fomenta o preconceito contra esses sujeitos responsabilizando-os pela violência que ocorre no âmbito escolar. Nesse sentido, partindo do pressuposto que as construções discursivas sobre tais indivíduos interferem na forma como eles definem, entendem e veem e o mundo e na forma como constroem suas identidades, nós questionamos que significados esses sujeitos constroem a respeito da violência na escola. Dessa forma, desenvolvemos uma pesquisa cujo objetivo principal é analisar as construções discursivas sobre a violência na escola em discursos de pais e alunos de escolas públicas da comunidade do Coque. Nesse sentido, procuramos investigar como tais indivíduos mobilizam repertórios interpretativos, narrativas e descrições para explicar a ocorrência de tal fenômeno no âmbito escolar. Para efetivar a pesquisa realizamos entrevistas semiestruturadas com pais e alunos de escolas públicas da comunidade do Coque. Entre os alunos as idades variavam de quatorze a dezessete anos, sendo seis do sexo masculino e cinco do sexo feminino. Quanto aos pais, as idades variavam de vinte e seis a setenta e dois anos, sendo dois homens e seis mulheres. Na análise dos dados adotamos a abordagem teórico-metodológica da Psicologia Social Discursiva, cuja ênfase está na função, variabilidade e efeitos do discurso e que traz como principais teóricos Jonathan Potter, Margaret Wetherell, Michael Billig e Derek Edwards. Percebemos que prevalece entre os pais termos que se referem aos aspectos físicos da violência. O mesmo não ocorre nos discursos dos alunos, que definem o fenômeno a partir de termos que aludem aos aspectos físicos, psicológicos e verbais. Quando falam sobre as causas da violência no âmbito escolar é prevalecente entre os pais explicações que salientam fatores microssociais, caraterísticas individuais ou argumentos de cunho psicologizante. Entre os alunos não são focalizados, apenas, argumentos individualizantes, mas também são mobilizadas explicações nas quais os determinantes sociais são ressaltados. É recorrente entre os sujeitos o uso de categorizações para combater os discursos que estereotipam o bairro e seus moradores como sendo violentos. Entretanto, a inserção de outros bairros populares na mesma categoria revelam a dificuldade de tais indivíduos em transcender os discursos dominates, apenas reproduzindo-os. As falas também deixam evidente a dificulade dos pais em identificar a violência exercida pela instituição contra o aluno. O mesmo não acontece com os alunos, que conseguem perceber os insultos de professores e punições como sendo ações de violência. Ressaltamos, ainda, que os indivíduos entrevistados mobilizam conhecimentos e repertórios interpretativos adquiridos em várias instituições das quais participam. Contudo, a apropriação destes não garantem ao indivíduo superar os discursos historicamente construídos sobre as camadas populares. Em muitos casos eles são usados pelos sujeitos para reproduzir preconceitos e estereótipos. Por outro lado, outros indivíduos usam tais conhecimentos para criar novas versões da realidade
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/8106
Aparece na(s) coleção(ções):Dissertações de Mestrado - Psicologia

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