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Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/67039

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dc.contributor.advisorALLEN, Scott Joseph-
dc.contributor.authorFERREIRA, Daniela Aparecida-
dc.date.accessioned2025-12-03T11:47:12Z-
dc.date.available2025-12-03T11:47:12Z-
dc.date.issued2025-01-31-
dc.identifier.citationFERREIRA, Daniela Aparecida. Entre moça (criada) e meninas (mal) criadas: uma arqueologia da "mulher solteira" em Fordlândia e Belterra (1927-1945). 2025. Tese (Doutorado em Arqueologia) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2025.pt_BR
dc.identifier.urihttps://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/67039-
dc.description.abstractFordlândia e Belterra são duas cidades empresas construídas e administradas pela Companhia Ford no estado do Pará entre 1927 e 1945. Fato nada incomum é que a história sobre esses locais é predominantemente contada a partir da voz, presença e do trabalho dos homens. Em diálogo com pesquisas já desenvolvidas sobre gênero no campo da arqueologia histórica em contextos urbanos e industriais, busquei perceber de que forma as mulheres experienciaram as paisagens de gênero de Fordlândia e Belterra. Os relatos evidenciaram uma possível diferença na forma como a prostituição ocorreu entre as duas áreas, o que me levou a trabalhar com a hipótese de que a prostituição havia sido negociada e renegociada de forma distinta em Fordlândia e Belterra. Para responder à questão, realizei entrevistas exploratórias com moradoras e moradores e recorri a uma diversidade de fontes documentais, tais como fotografias, vídeos, jornais, mapas, relatórios administrativos e, especialmente, processos judiciais. O uso das imagens de satélite associado ao georreferenciamento de mapas da época e ao estudo da organização espacial, por meio da aplicação da sintaxe do espaço, contribuiu para cartografar a presença e o movimento de cinco “mulheres solteiras” nas paisagens das cidades operárias e no seu entorno. Como resultado, ficou evidente que o imaginário sobre a prostituição, tanto em Fordlândia como em Belterra, está fortemente enraizado em aspectos morais que limitavam a sexualidade das mulheres e que se relacionam com a transição entre os papéis sociais atribuídos às mulheres e associado à preservação [ou não] da sua honra sexual. Acredito que a mudança observada no imaginário sobre prostituição se deu como parte das transformações nas relações vivenciadas pelas mulheres e, neste caso, a análise interseccional permitiu perceber que marcadores tais como gênero, raça, classe, sexualidade, localidade, regionalidade e estado civil foram operados de forma articulada e contribuíram para que mulheres morenas, “tapuyas”, pobres e solteiras fossem percebidas como prostitutas, mesmo que não houvesse evidências de que elas tivessem exercido a prostituição em algum momento. Estas transformações repercutiram de forma a contribuir para que as mulheres ocupassem seus lugares, ainda que de forma precária, ignorando as diversas fronteiras que delimitaram o que ocorria dentro e o que estava fora. A análise da paisagem de gênero de Fordlândia e de Belterra vem mostrando que as diferenças observadas na organização dos espaços mantêm relação com as mudanças nas relações de poder e nos papéis sociais que ainda hoje atravessam as mulheres e homens no contexto das cidades operárias e que vão muito além da narrativa masculina dominante.pt_BR
dc.language.isoporpt_BR
dc.publisherUniversidade Federal de Pernambucopt_BR
dc.rightsopenAccesspt_BR
dc.rights.urihttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/pt_BR
dc.subjectArqueologia do capitalismo na Amazôniapt_BR
dc.subjectPaisagem de gêneropt_BR
dc.subjectSintaxe espacialpt_BR
dc.subjectInterseccionalidadept_BR
dc.subjectFordlândia e Belterrapt_BR
dc.subjectCompanhia Ford Industrial do Brasilpt_BR
dc.titleEntre moça (criada) e meninas (mal) criadas: uma arqueologia da "mulher solteira" em Fordlândia e Belterra (1927-1945)pt_BR
dc.typedoctoralThesispt_BR
dc.contributor.authorLatteshttp://lattes.cnpq.br/7495449835021676pt_BR
dc.publisher.initialsUFPEpt_BR
dc.publisher.countryBrasilpt_BR
dc.degree.leveldoutoradopt_BR
dc.contributor.advisorLatteshttp://lattes.cnpq.br/6926050763844442pt_BR
dc.publisher.programPrograma de Pos Graduacao em Arqueologiapt_BR
dc.description.abstractxFordlândia and Belterra are two company towns established and managed by the Ford Motor Company in the state of Pará between 1927 and 1945. A common feature of the histories of these places is that they are predominantly told through the voices, presence, and labor of men. Engaging with existing research on gender within the field of historical archaeology, particularly in urban and industrial contexts, I sought to explore how women experienced the gendered landscapes of Fordlândia and Belterra. The accounts revealed potential differences in how prostitution was practiced in these two areas, leading me to work with the hypothesis that prostitution was negotiated and renegotiated in distinct ways in Fordlândia and Belterra. To address this question, I conducted exploratory interviews with residents and analyzed a diverse range of documentary sources, including photographs, videos, newspapers, maps, administrative reports, and, most notably, judicial proceedings. The use of satellite imagery, in conjunction with georeferenced historical maps and spatial organization analysis through space syntax, contributed to mapping the presence and movement of five "single women" in the landscapes of these company towns and their surroundings. As a result, it became evident that the social imaginary surrounding prostitution in both Fordlândia and Belterra is deeply rooted in moral aspects that restricted women's sexuality and are related to the transition between the social roles assigned to women and their association with the preservation [or not] of their sexual honor. I argue that the observed shift in the imaginary regarding prostitution occurred as part of broader transformations in the relationships experienced by women. In this context, an intersectional analysis made it possible to recognize that markers such as gender, race, class, sexuality, locality, regional identity, and marital status operated in an articulated manner and contributed to the perception of “morena”, "Tapuya", poor, and single women as prostitutes – even in the absence of evidence that they had engaged in prostitution. These transformations reverberated in ways that contributed to women occupy spaces, albeit precariously, transcending the boundaries that separated the inside and outside of these company towns. The analysis of the gendered landscape of Fordlândia and Belterra demonstrates that the observed differences in spatial organization are deeply connected to shifts in power relations and social roles. These shifts continue to shape the experiences of both women and men in these contexts, , extending far beyond the dominant male-centered narrative that has historically defined these spaces.pt_BR
Appears in Collections:Teses de Doutorado - Arqueologia

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